2 de fev de 2012

passava mais rápido quando

O tempo é tão
pesado pra você,
não?
A possibilidade
dos cabelos brancos
das rugas
das coisas passarem. Eu
não me importo muito,
e me espanto –

morrer pra você é
inaceitável

por que a vida acaba, por que
ficamos mais velhos, por que
tanta dor. A dor
te assusta, aquelas dores à noite,
sua avó no hospital, o silêncio.

O tempo
passava mais rápido quando
nós
alguns carros passando
lá fora,
a gente não queria
que o tempo passasse.

Você dormiu,
agora.

28 de jan de 2011

volta pelo aterro

Olhar o Pão
de Açúcar aqui
da Guanabara à noite
leva uma tristeza.

Essas flores de luz
dos postes atravessando
o Aterro não mentem –
a volta pra São
Paulo não tarda.

E seu rosto
iluminado também
no banco de trás
do carro
(de tão perto vejo
meio embaçado
seu sorriso
aberto
escancarado).

E penso
o Aterro poderia ter
mais vinte quilômetros
até o aeroporto
que eu observaria
todas as flores de luz
passando
sem cansar
e sussuro pra você
a viagem foi
tão rápida

dois dias não
dão pra nada.

8 de jul de 2010

vila forte

Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?
António Lobo Antunes


pai, na verdade eu tinha receio de subir com a ajuda do cara dos cavalos, aquela piscina redonda, os azulejos que deslizavam tanto, eu com quatro anos te escalando, vestindo a sunga azul que ganhei no aniversário (depois de abrir o embrulho com o novo megazord, claro), já dezenove anos que fomos ao Vila Forte, por causa do metal úmido escorreguei e cortei o queixo no trepa-trepa (ontem choveu, aqui em São Paulo a frente fria ainda não arredou), voltamos à Joatinga, o barulho do mar antes de dormir, as ondas lá embaixo – não disse, os cavalos não fazem mesmo sombra no mar, já se foram

29 de mar de 2010

para conhecimento – juan gelman

"enquanto nos amamos/ um cão
late na cozinha íntima/
tecemos vida e morte/
olhos puros tua mão/

onde está o cântico/
dos cânticos?/ o
visível que munda noutro lugar?/
abrirá o ar que não se deu?/

estariam escritos os escritos
de dois em um/ a obra
que não preserva nada?/

nunca sabemos o que aconteceu/ a noite
somos nós/ tranquila/
cala abismos/"


GELMAN, Juan. "Sépase", in Mundar. Buenos Aires: Seix Barral, 2007, p. 47. Tradução minha.

Juan Gelman nasceu em Buenos Aires, em 1930. É um dos maiores poetas argentinos do século XX. No Brasil, apenas alguns de seus livros foram traduzidos. Este
Mundar ainda é inédito por aqui. Abaixo, o poema original.

Sépase

"mientras te amo/ un perro
ladra en la íntima cocina/
cosemos vida y muerte/
ojos puros tu mano/

¿a dónde se fue la canción/
de las canciones?/ ¿el
visible que munda en otra parte?/
¿abre el aire que no sucedió?/

¿estaba escrita la escritura
de dos en uno/ la obra
que no conserva nada?/

nunca sabemos qué pasó/la noche
es nosotros/ tranquila/
calla abismos/"

10 de fev de 2010

a pequena chama – juana de ibarbourou

"Eu sinto um amor selvagem pela luz.
Cada pequena chama me encanta e me ultrapassa.
Não é cada lume um cálice que conduz
O calor das almas que encontra em sua jornada?

Algumas são pequenas, azuis, tremelicantes,
Iguais às almas taciturnas e bondosas.
Outras são quase brancas: lírios fulgurantes.
Outras, quase vermelhas: espíritos de rosas.

Respeito e adoro a luz como se fosse inteira
Uma coisa viva, que sente, que medita,
Um ser que nos contempla, transformado em fogueira.

Assim, quando morrer, hei de ser, a seu lado,
Uma pequena chama de doçura infinita
Em suas noites longas de amante desolado."


IBARBOUROU, Juana de. "La pequeña llama", in Lenguas de diamante. Montevidéu, 1919. Tradução minha.

Juana de Ibarbourou (1892-1979) foi uma poeta uruguaia incrível. Começou a publicar seus poemas apenas com 16 anos de idade, antes de se começar a falar em modernismo aqui na América do Sul. Embora sua poesia seja composta de sonetos, versos com métrica e rimados, Juana influenciou muito sua geração e seus sucessores, não apenas no Uruguai, mas em todo continente e na Espanha. O desnudamento sincero da alma – muito além de fórmulas prontas e pastelões – impressiona, ainda mais vindo de uma mulher naquela sociedade. Suas obras completas já foram editadas três vezes na Espanha pela Aguilar, e ainda assim Juana nunca foi traduzida no Brasil. Abaixo, o soneto original.



La pequeña llama

"Yo siento por la luz un amor de salvaje.
Cada pequeña llama me encanta y sobrecoge.
No será, cada lumbre, un cáliz que recoge
El calor de las almas que pasan en su viaje?

Hay unas pequeñitas, azules, temblorosas,
Lo mismo que las almas taciturnas y buenas.
Hay otras casi blancas: fulgores de azucenas.
Hay otras casi rojas: espíritus de rosas.

Yo respecto y adoro la luz como si fuera
Una cosa que vive, que siente, que medita,
Un ser que nos contempla transformado en hoguera.

Así, cuando yo muera, he de ser a tu lado,
Una pequeña llama de dulzura infinita
Para tus largas noches de amante desolado."

28 de jan de 2010

cheiros – salvador puig

"Casa, o cheiro de casa
há muito tempo se foi
e foi ao que busca
entre as sombras a sombra
de seu corpo, o pão caseiro.

O cheiro d’água, da água
que habita num lugar
onde as sombras andam
por dentro de todas as sombras.

Com cheiros somente deveria ser possível
fazer-se o sol, e a seguir a lua,
as estrelas, uma mão e,
se houvesse tempo, uma casa de
verdade, um pão caseiro."


PUIG, Salvador. "Olores", in Escritorio. Montevidéu: Linardi y Risso, 2006. Tradução minha.


Olores

"Casa, el olor a casa,
a tiempo que se fue de la mano,
a la mano que busca
entre las sombras la sombra
de su cuerpo, el pan casero.

Olor a agua, al agua
que habita en un lugar
donde las sombras andan
por adentro de todas las sombras.

Con sólo olor debiera ser posible
hacer el sol, luego la luna,
las estrellas, una mano y
si el tiempo alcanza, una casa
visible, un pan casero."

10 de nov de 2009

origamis

O que me impressiona
é essa sua capacidade
de lidar com o mundo
como se tudo se
tratasse de dobrar
e desdobrar origamis

como se as pessoas
objetos etc. fossem
os papéis coloridos
que você compra
na Liberdade

10 de out de 2009

fotografia

para Carol


Escrita de luz, a
foto-
grafia.
Escreve-se com a
luz
e você ainda diz que
não lê.

Ler o mundo,
ler os mundos
a partir de
suas luzes,
ausências –
silêncios.

Ler,

mesmo quando não há
lentes;

ler,

mesmo quando luz e trevas
se juntam;

ler,

mesmo que as lentes
sejam os seus próprios
olhos.

Paramos no cruzamento –
seu casaco vermelho,
o cachecol nos cabelos,
você olhava
lenta,
diversa.
Imersa
nas cores do mundo.

Shall we cross
o mundo,
as cidades e
os sentidos –

cidade-texto
cidade-luz
cidade-cor
cidade
e seus olhos cheios de
cimento,
lágrimas,
ternura.

video

8 de out de 2009

a alma e a matéria

Divulgando: publicaram um pequeno texto meu lá no site da editora e revista Ultimato, na seção "Opinião".

Pra quem não conhece, a Ultimato é, na minha opinião, uma das revistas cristãs mais sérias e agora está querendo ativar o seu espaço online. Tem uma chamada pro texto na primeira página do site, mas podem acessá-lo diretamente aqui.

Este texto é o desenvolvimento de algo que comecei um tempo atrás aqui no blog.

4 de set de 2009

Lina por escrito

Cosac Naify, revista Noz e CAU/PUC-Rio convidam para o lançamento do livro
Lina por escrito
uma coletânea de textos da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi. O lançamento será seguido de debate entre Maria Cristina Cabral (FAU/UFRJ), João Masao Kamita (PUC-Rio) e Silvana Rubino (Unicamp, organizadora da publicação), com mediação de Ana Luiza Nobre (PUC-Rio).

terça-feira, 8 de setembro, às 18h
auditório Padre Anchieta – PUC-Rio

Mais sobre o livro: www.cosacnaify.com.br/loja/detalhes.asp?codigo_produto=1246&language=pt&showPromo=True
Leia a resenha escrita por Maria Cristina Cabral especialmente pra revista Noz: www.revistanoz.com/?p=134

Apareçam!

6 de ago de 2009

entre van gogh – salvador puig

"Chegar enfim
à superficie das coisas,
de mãos dadas com o ar.

Ergo-me de baixo até minha pele
– deveria dizer até meus olhos
mas meus olhos são feitos de pele –
para ver os girassóis,
os rostos misericordiosos, os céus
verdes, essas planícies,
explosão de amarelo e um
leve gosto de suor em rostos
desfigurados por terem nascido.

Olhos que funcionam como guias
para ver, em detalhe,
o que é verbo, figura,
cor esquecida."

--
PUIG, Salvador. “Entre Van Gogh” in: Escritorio. Montevidéu: Linardi y Risso, 2006, p. 35. Tradução minha.

Salvador Puig é um importante poeta uruguaio. Nascido em 1939, ainda está escrevendo. Publicou alguns de seus poemas em antologias coletivas no Brasil, mas nenhum livro seu foi traduzido e publicado aqui.
Escritorio é seu último livro. Abaixo, o texto original.


"Llegar por fin
a la superficie de las cosas,
de la mano del aire.

De abajo subo hasta mi piel
– debería decir hasta mis ojos
pero mis ojos son de piel –
para mirar los girasoles,
las caras de perdón, los cielos
verdes, esas planicies,
estallido de amarillo y
tenue sabor a olor en rostros
desfigurados por haber nacido.

Ojos que actúan como guías
para ver en detalles
lo que es el verbo, la figura,
el color olvidado."

28 de jul de 2009

estado de caravana – tatiana oroño

"A vida seria um grande gole amargo, não fosse a escrita. Eu escrevo e reescrevo. Vou fazendo escala em meus rascunhos intermináveis. As teclas de deletar, cortar e colar trabalham mais que as outras vinte e tantas do alfabeto.

Escrevo “faço escala” mas penso “faço minha casa”. Não entendo por que escrevo diferente do que penso. Talvez porque, ao escrever, vou corrigindo o que penso, e desta maneira crio um espaço mais habitável, onde os pensamentos consigam se relacionar. Se sacrifico um pensamento isolado, se não o escrevo, é com o intuito de dar lugar a mais pensamentos, que possam então conviver, como seres humanos que precisam uns dos outros. Ou que se juntam para passar a noite. Um pensamento isolado é tão imóvel quanto um objeto – seja carretel, ladrilho, botão ou casca de ovo – e serve para qualquer coisa, menos para continuar escrevendo. Apenas junto com outros pensamentos ele servirá de proteção.

As páginas, os rascunhos, protegem da vida. Que é imprevisível.

Vive-se, no que diz respeito ao ofício de escrever, em estado de caravana. Vive-se e é preciso justificar essa oportunidade única. No Uruguai, uma mulher que escreva apesar dos filhos, da ditadura, do desemprego, do divórcio, da destituição, restituição e dos trâmites da aposentadoria, certamente esteve só. Não acumulou experiência porque, na verdade, não soube o que viria adiante. Não há conquista do Oeste, nem cruzadas, nem êxodo, nem nada que se pareça com um esboço inicial ou um mapa. Há episódios. Que são varridos por outros. Como rajadas de vento. Ainda que a memória se pegue a alguns deles e não solte.

A vida vale pouco, quase nada, ou nada. Depende. A vida de uma mulher sozinha e com responsabilidades tem um valor escasso e oscilante. Como a caravana, quando a vemos ao longe, ficando cada vez menor, balançando.

Contudo, olho tudo de perto e toco sempre que posso. Há pessoas que sabem o que fazem. Alguém lhes ensinou os mapas. Traçam planos e os trazem prontos. Conhecem o rumo. Os pontos de chegada. Sei disso não porque o dizem, mas exatamente pelo contrário. Olhar de perto permite-me distinguir entre eu e eles. Medir as diferenças. Pesar minhas desvantagens. Passar e passar novamente – como se isso se tratasse de um trabalho de passamanaria – os fios de enlace e desenlace que unem e separam. Levar em conta, numa escala previsível, a velhice, e seus adereços descosturados. Levar em conta as derrotas e seus cacos. E os anos que passaram como uma faixa que se enrola ao redor do corpo. Levar em conta os signos da escrita e trabalhá-los tal qual se faz em ponto-cruz. De olho. De olho fixo no ajuste das bainhas e na leveza recente de fios e tranças, em suas transparências de fundo. Escrever como bordar. Interrompendo a cada tanto. Retomando quando possível. Ser escritora porque não fui costureira. Porque a vida só faz escalas em sua duração. E não a excede. Como se ela percorresse uma página ou uma renda."


OROÑO, Tatiana. "Estado de caravana", in La piedra nada sabe. Montevidéu: Casa Editorial HUM, 2008, pp. 77-78. Tradução minha.

Tatiana Oroño é uma escritora uruguaia contemporânea muito interessante. Também é professora de literatura e crítica literária. Conhecer o trabalho dela vale a pena. Agora o blog terá também, eventualmente, traduções minhas de textos que sejam inéditos em português. Abaixo, o texto original.



"La vida sería un largo trago amargo si no fuera porque se escribe. Yo escribo y reescribo. Voy haciendo escala en borradores de borradores. Las teclas de suprimir, cortar y pegar trabajan más que las veintitantas del alfabecto.

Escribo 'hago escala' pero pienso 'hago mi casa'. No sé por qué escribo distinto a lo que pienso. Será porque al escribir voy corrigiendo lo que pienso y de esa manera voy haciendo un espacio más habitable para que los pensamientos se relacionen. Si sacrifico un pensamiento aislado, si no lo escribo, es para hacerle lugar a más de uno. A la mayor cantidad de los que puedan convivir como gente que se necesita. O que se junta para pasar la noche. Un pensamiento inmóvil como un objeto – carretel, ladrillo, botón, cáscara de huevo – que sirve para algo sí, pero no para seguir escribiendo. Sólo si se intercala con otros pensamientos es que sirve para protegerse.

Las páginas, los borradores, protegen de la vida. Que es imprevisible.

Se vive, en lo relativo al oficio de escribir, en estado de caravana. Se vive y hay que justificar esa única oportunidad. Una mujer que escriba, en Uruguay, mientras pasan los hijos, la dictadura, el desempleo, el divorcio, la destitución, la restitución, los trámites de jubilación, es seguro que estuvo sola. No acumuló experiencia porque en realidad no se supo qué venía más adelante. No hay conquista del oeste, ni cruzadas, ni éxodo, ni nada que se parezca a un dibujo previo, a la página de una cartografía impresa. Hay episodios. Son barridos por otros. Como rachas del viento. Aunque la memoria se abrace a algunos y no los suelte.

La vida vale poco, casi nada, o nada. Según. La vida de una mujer sola y con responsabilidades tiene un valor escaso y oscilante. Como la caravana, si se la mira mientras se va haciendo cada vez más chica, bamboleándose.

Pero yo miro de cerca y palpo siempre que puedo. Hay gente que sabe lo que hace. Alguien les enseñó los mapas. Trazan planes o los traen trazados. Conocen el rumbo. Los puntos de llegada. Me doy cuenta no porque lo digan, sino por lo contrario. Mirar de cerca permite discriminar entre ellos y yo. Medir las diferencias. Tomar en peso mis desventajas. Pasar y repasar como si se tratara de una labor de pasamanería los hilos de enlace y desenlace que unen y separan. Tomar en cuenta, escala previsible, la vejez, y sus cuentas desenhebradas. Tomar en cuenta las derrotas y sus añicos. Y los años corridos como una cinta que se arrollara alrededor del cuerpo. Tomar en cuenta los signos de escritura y labrarlos como una labor de punto. De ojo. De ojo puesto en el ajuste de los engarces y en la levedad reciente de hilos y torsiones, en sus transparencias de fondo. Escribir como si se bordara. Interrumpiendo cada tanto. Retomando cuando se puede. Ser escritora porque no fui encajera. Porque la vida sólo hace escala en su duración. Y no la desborda. Como si recorriera, ella, una página o una puntilla."

20 de jul de 2009

cuba: a realidade de um sonho

Começou na quinta e fica até dia 22 de agosto a exposição Cuba: a realidade de um sonho, com fotos de três fotógrafos, dentre eles meu pai, Marcos Malugani.


Galeria do Convento
Rua Primeiro de Março, 101 – Praça XV – Centro
segunda à sexta de 12h às 18h
sábados de 10h às 14h.

27 de jun de 2009

passeio

À beira de nós
toda paisagem
se restringia a um
mar
dois
mares
e as bicicletas que deixamos na areia enquanto fomos mergulhar.

Em nossa volta
molhamos toda a
ciclovia e o
vento
deixou
espalhadas
nossas memórias em forma de grãos que perdemos pelo ar.

15 de jun de 2009

cine noz

A revista Noz tem o prazer de convidá-los para a primeira edição do Cine Noz – filmes seguidos de debates com seus diretores.

17 junho, quarta às 19h (entrada franca)
Andarilho de Cao Guimarães
seguido de conversa entre Cao Guimarães e Ligia Saramago

24 junho, quarta às 19h (entrada franca)
Mutum de Sandra Kogut
seguido de conversa entre Sandra Kogut e Otavio Leonídio

local: Instituto Moreira Salles – Rua Marquês de São Vicente, 476 Gávea – Rio de Janeiro
realização: revista Noz e CAU/PUC-Rio

Mais informações em www.revistanoz.com/cinenoz
Espero todos lá!

14 de jun de 2009

5 de abr de 2009

a cidade em rewind

Sentado de
costas no trem
a cidade
vai em rewind

todo caminho
é de volta.
Telhados e
diagonais

rasgam o céu
cinza de São
Paulo, traçam

minha volta
do Tietê
pro Paraíso.

28 de mar de 2009

lançamento noz 3

Estão todos convidados! (cliquem na imagem ao lado para visualizar melhor o convite)


A Noz é uma revista de arquitetura editada desde 2007 por um grupo de estudantes do Curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio. Na contramão da tendência à especialização, a revista busca abordar diferentes campos temáticos fundamentais àqueles que pensam a cidade, a imagem e a construção. Sua linha editorial preocupa-se em enxergar a arquitetura sob diversas óticas, passando pela filosofia, artes plásticas, cinema, literatura e design. A revista não procura definir conclusões, mas reflete uma constante busca capaz de instigar reflexões variadas.

Em sua primeira edição, o debate girou em torno do projeto de urbanização da Rocinha, da revitalização, da arquitetura imobiliária e da subjetividade da vida na cidade.

A Noz 2 debateu, a partir da importância da imagem no mundo contemporâneo, as consequências para a produção arquitetônica e o surgimento de cidades como Dubai, cujo processo de urbanização emergente direciona para a concretização de uma cidade cada vez mais espetacularizada e temática. A edição discutiu também o posicionamento do espaço público na cidade globalizada e as relações entre arquitetura e cenografia.

Na terceira edição da revista, ao tocar as fronteiras da arquitetura, a idéia de paisagem surge como linha que circunscreve a discussão. Pensar a margem nos leva a pensar o que seria a paisagem sem um objeto e o objeto fora da paisagem. Paisagem e objeto dialogam e se entrecruzam por toda revista, encaminhando a questão para outros campos do saber. Esta edição conta com colaboradores como Josep Maria Montaner, Cadu, Alday Jover, Aires Mateus, Ana Luiza Nobre, Eucanaã Ferraz, entre outros.

www.revistanoz.com

9 de mar de 2009

américas

Avenida das
Américas à noite,
cada poste que passa
a oitenta quilômetros
por hora é luz
branca que escorre pros
olhos,

os freios
vermelhos piscam
piscam
e o que vem ali
à frente depois
do Barrashopping
só Deus
sabe,

tantos prédios
condomínios
cercas
que eu
já nem sei –

essa avenida parece
um rio e
seus barrancos