29 de mar de 2010

para conhecimento – juan gelman

"enquanto nos amamos/ um cão
late na cozinha íntima/
tecemos vida e morte/
olhos puros tua mão/

onde está o cântico/
dos cânticos?/ o
visível que munda noutro lugar?/
abrirá o ar que não se deu?/

estariam escritos os escritos
de dois em um/ a obra
que não preserva nada?/

nunca sabemos o que aconteceu/ a noite
somos nós/ tranquila/
cala abismos/"


GELMAN, Juan. "Sépase", in Mundar. Buenos Aires: Seix Barral, 2007, p. 47. Tradução minha.

Juan Gelman nasceu em Buenos Aires, em 1930. É um dos maiores poetas argentinos do século XX. No Brasil, apenas alguns de seus livros foram traduzidos. Este
Mundar ainda é inédito por aqui. Abaixo, o poema original.

Sépase

"mientras te amo/ un perro
ladra en la íntima cocina/
cosemos vida y muerte/
ojos puros tu mano/

¿a dónde se fue la canción/
de las canciones?/ ¿el
visible que munda en otra parte?/
¿abre el aire que no sucedió?/

¿estaba escrita la escritura
de dos en uno/ la obra
que no conserva nada?/

nunca sabemos qué pasó/la noche
es nosotros/ tranquila/
calla abismos/"

3 comentários:

Paulo Henrique Motta disse...

muito bom!!
dê-me mais!!

um abração do Paulinho

Sérgio Medeiros disse...

Eu gosto muito de "Chuva" de Juan Gelman.

Curiosidade: por que vc prefiriu escritos ao invés de escritura? :-)

Miguel Del Castillo disse...

Oi, Sérgio!

"escritura" soaria bíblico, talvez, e não era o caso ali. embora tenha optado por citar o livr Cântico dos cânticos, lá em cima, pois me pareceu bonito e que o poema pedia isso.

além disso, o original em espanhol "escrita la escritura" me pareceu um jogo de palavras, que no português poderia ser potencializado com duas palavras que, mais que semelhantes, são exatamente iguais.

obrigado pelos comentários, sempre!